* Outcross; Linebreeding; Inbreeding *

“Após uma cadela ganhar um show nacional, um criador decide compra-la para ter uma matriz que só produzirá campeões que nem ela… após a primeira ninhada ele começa a se decepcionar, pois a cadela não está passando aquilo que ela aparenta. Então, ele o criador começa a culpar a cadela e o “mau” negócio feito. Assim, ele revendeu a cadela a preço de banana para se desfazer do “problema”, mas logo após viu o novo proprietário tirar excelentes cães da menina. Então ele se perguntou, o que ele teria feito de errado?”

Esse é um trecho de um livro sobre genética canina (traduzido), uma introdução para a parte onde explica sobre inbreeding, linebreeding, outcross…

A autora questiona o porquê de não ter dado certo com o primeiro criador e a cadela ter sido muito bem aproveitada pelo segundo criador. Por quê?

Tudo devido ao “Breeding Plan” (Plano de Cruzas).

Antes de cruzar dois animais vc deve ter em mente o seu objetivo, e o caminho que quer seguir, pois vários são os caminhos que levam para aquele objetivo específico, e é de responsabilidade do criador arcar com suas decisões.

Tudo deve ser estudado. E dai, que é fundamental para o criador saber oq cada tipo de cruzamento pode “entregar” para seu plantel e objetivo. O segredo de um criador de sucesso se chama “consistência”, e é ela que dará a identidade a seu canil, já que se uma linha bem trabalhada e consistente for mostrada, todos saberão que aquela típia, única, provavelmente veio daquele canil. Consistência, essa é a chave.

No caso acima, a autora comenta que não deu certo para o primeiro criador pois ele não tinha estudado o pedigree da cadela, e não sabia que, apesar de ser um belo exemplar, ela era fruto de um outcross de sangue bem aberto, e havia cruzado ela em cães tb de sangue aberto, oq tornou suas ninhadas inconsistentes.

E oq seria um outcross?

É considerado um outcross o cruzamento entre cães sem ancestrais comuns pelo menos até a 5ª geração. É uma ótima escolha para o criador que deseja dar um “ar” no seu plantel; dizem: “refrescar o sangue”; “fazer o sangue respirar”; “dar um flash no plano…”. O criador deve ter cuidado para não jogar seu trabalho pelo “ralo”, pois, ao colocar um sangue novo, vc pode estar tendo que recomeçar novamente a seleção de consistência, devendo saber qual escolha seria melhor para a cruza, talvez dando preferência a um animal do sexo oposto proveniente de um linebreeding ou inbreeding.

Mas oq seria um linebreeding?

É considerado um linebreeding o cruzamento entre cães com ancestrais em comum nas primeiras 5 gerações, não tão próximos como o inbreeding, mas ao ponto que as características da linha sejam evidenciadas e preservadas nas gerações seguintes. Permite o “controle” de determinada família, pois existe a “diluição” dos genes recessivos, e manutenção das características desejadas. Seria o meio mais “seguro” de se trabalhar a linha desejada, comparado ao inbreeding, por exemplo.

Mas oq seria o inbreeding?

É considerado um inbreeding o cruzamento entre cães com parentesco próximo, oq ocasiona muitas vezes em algumas cruzas os fechamentos de sangue. Exemplos de inbreeding são cruzas entre pai e filha, filho e mãe, entre irmãos… Certamente é o tipo de cruza para quem busca aprimorar a característica da linha, pois provavelmente vc irá receber pelo que cruzar. Porém, nem tudo são flores… Existe um brocardo no meio da criação que diz que: “Inbreeding results in the best of the best” and “the worst of the worst” (o inbreeding produz o melhor dos melhores, mas tb o pior dos piores). Mas é isso que faz do criador, criador, e não um mero reprodutor de cães. Para o melhoramento genético, envolve estudo e riscos. Sem riscos não há evolução, porém, deve o criador, arcar com as consequências das suas atitudes, e agir de acordo para contorna-las.

Os criadores devem sempre estar cientes do duplo efeito presente nos cruzamentos. Sempre vai ter o lado positivo e o lado negativo, e deve o criador tentar minimizar os últimos, para a evolução do seu plantel e arcar com a responsabilidade das suas escolhas.

“Uma cruza feita somente do estudo do papel (pedigree) sozinho, é como um casamento arranjado. Pode ser consumado, mas há pouca chance de sucesso. “(EHH 1968).
Henrique PitUm resumo pra mostrar que criação não é simplesmente 2 exemplares campeões e número de vezes no pedigree.

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